A vida e suas constantes mudanças.

Crônica de Sábado

Uma vez ouvi a seguinte frase: “Existem dois tipos de pessoas, as que lambem a tampa do iogurte e as que não”. Acho curiosa essa analogia e até mesmo engraçada, por ser uma constatação tola, mas ao mesmo tempo tão acertada. Seguindo essa mesma linha, na crônica de hoje, proponho a classificação humana em outros dois grupos, os que curtem mudanças e os avessos a elas. 

Pessoalmente, faço parte do grupo que adora mudar. Para mim, mudança é sinônimo de renovação, de novos ares e planos. Uma oportunidade de deixar para trás tudo que não me agrada e incorporar na nova vida aquilo que desejo. 

Quando eu era pequena, me lembro de constantemente mudar os móveis de lugar no quarto que dividia com minhas irmãs: puxava uma cama para cá, mexia a estante para lá. Acho que fui influenciada pela minha mãe, que também costumava mudar os móveis da sala com bastante frequência. 

Cada mudança trazia consigo um novo ambiente, como um cilindro de oxigênio. Era uma oportunidade de adquirir novos hábitos, e confesso que até hoje carrego essa ideia. Na minha infância, a única mudança difícil era a escolar, mas acredito que essa não é fácil para nenhuma criança que está bem adaptada em seu ninho. Os pequenos, por sua pouca idade, não têm maturidade para encarar a situação como algo positivo.

Quando a mudança é ocasionada por uma escolha pessoal, como um apartamento maior, um emprego melhor ou até mesmo uma nova cidade com maiores perspectivas, o processo é naturalmente mais fácil, pois as motivações têm precedentes positivos. Mesmo assim, para muitos, mudar ainda pode ser desafiador.

Agora, o que dizer das mudanças que nos surpreendem? Das que chegam sem que nos deem tempo de assimilá-las. Como enfrentar com clareza as situações que nos tiram de nosso eixo central, que desestabilizam nossas rotinas, forçando-nos a nos adaptarmos a novas vidas. Essas sim são assustadoras, até mesmo para os mais experientes. As atividades que antes eram feitas no piloto automático precisam ser reorganizadas. Novos amigos, novas rotinas, tudo precisa ser recriado. Essas incertezas propiciam uma sensação desagradável e difícil de descrever. 

Outro dia, meu filho usou uma analogia brilhante para clarificar esse sentimento. Ele disse: “Sabe aquela sensação de quando você está na fila para subir em uma nova montanha-russa? Você sabe que vai gostar, porque você adora montanha-russa, mas o fato de não a conhecer te dá dor de barriga”. Compreendi exatamente o que ele queria dizer e muitas vezes compartilho desse mesmo sentimento. 

Sempre que me deparo com uma situação dessas, parto da seguinte premissa. “Qual o meu propósito? Estar bem e ser feliz!” Isso significa que, independentemente da complexidade da situação, o importante é encarar positivamente os fatos. Outra boa maneira de afrontar novos desafios é lembrar das boas experiências que mudanças anteriores lhe trouxeram, sabendo que sempre existe algo novo para descobrir e aprender. Caso só haja más recordações, afirmo que elas são igualmente importantes, servindo de aprendizado para assegurar que as coisas podem ser diferentes. 

Quando a decisão de mudar já foi tomada e não há mais volta, há dois caminhos a seguir. O primeiro é se lamentar e passar os dias reclamando de tudo. Na minha opinião, essa é uma maneira inadequada para viver o problema, que só traz um acúmulo de situações indesejadas, gerando um ciclo vicioso de acontecimentos ruins. A segunda alternativa, a que sigo à risca, é encarar a mudança com positividade e buscar ferramentas para encontrar o meu espaço e a minha felicidade, desencadeando um ciclo virtuoso. Nós somos os únicos responsáveis pelo caminho que tomamos e os únicos encarregados do ciclo pelo qual optamos. 

Não podemos negar que não existe tema mais atual do que esse, afinal o que estamos fazendo há mais de dois meses? A resposta é simples: mudando. 

Fomos obrigados, de um dia para o outro, a mudar nossa forma de trabalhar, de estudar, de nos divertir, de administrar a nossa casa e, principalmente, de conviver em nosso núcleo familiar. Os próximos meses, quiçá anos, serão ainda mais desafiadores. Estaremos passando por transformações ainda maiores, que exigirão de nós um enorme esforço para nos adaptarmos às nossas novas vidas em um mundo pós-pandêmico e, mais do que nunca, teremos que enfrentar, com sabedoria, todas essas transformações que virão. A única certeza que temos é que o mundo nunca mais será o mesmo. Você está preparado? Então, por qual dos dois ciclos você optará?

Luciana de Gnone

7 comentários em “A vida e suas constantes mudanças.

  1. A mudança está acontecendo? Vai acontecer?
    Vou optar por encarar se chegar de surpresa, fazendo as modificações que forem necessárias
    para um viver melhor
    É uma mudança anunciada?
    Bola pra frente, sempre tem algo de bom p tirar das nova experiências

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  2. Genial . Exemplo de vida. Vida que vale a pena ser vivida. Não é por outra coisa que seus contos sao tão interessantes. Parabéns.

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  3. Importante enfrentar desafíos em busca de ser feliz e estar satisfeitos por mais difícil que seja deixar o passado para trás ! Temos sempre que escolher um caminho e nem sempre sabemos se vai ser o correto !
    Assim aprendemos com as muitas experiências da vida boas ou ruins !!
    Abraço Lu !!👏🏻👏🏻

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